Protesto



Uns ‘caras pintadas’, outros nem tanto. 
Mas até mesmo autoridades do judiciário, como o Procurador da República,
Diego Bonilla, também foram às ruas, ontem, fortalecendo ‘grito’ contra a corrupção.

Herança



Desembargador aposentado, Luiz Carlos, também em manifestação de protesto,
lamenta, em cartaz, o que lhe deixaram de ‘legado’: corrupção, inflação e mensalão.

Nas ruas



Não chegou a ser um ‘auê’, mas manifestantes quase enchem a sala em protesto contra Dilma, em Macapá, ontem.
Entre 2 a 3 mil pessoas, segundo a Polícia Militar.

Maravilhoso mundo



José Sarney – Ex-presidente da República

Rimbaud , o poeta das “Flores do Mal”, escreveu, com a angústia de viver o tempo futuro, a sentença de que “temos de ser absolutamente modernos”. A roda do mundo nos faz o passado parecer sempre melhor, vendo o presente como um vencer dificuldades e com a certeza de que a vida é feita com o dia-a-dia. O futuro nos seduz a pensar num terreno azul de soluções e esperanças. O passado é o já vivemos, já vencemos a graça da vida. A sensação do presente é o mar das sobrevivências, das ciladas do cotidiano, em que ainda há muito o que fazer para o próximo, para a humanidade e para acabar com todas as injustiças. É uma inconformação com o sofrimento, com o medo e com o próprio presente. Já o futuro é uma busca de esperança, no mínimo a incerteza quanto a dias piores. Foi Alçada Batista, o extraordinário escritor português, autor da “Peregrinação Interior”, quem me fez relembrar que o Padre Vieira tinha “saudades do futuro”, o que completa o ciclo das vivências, porque o racional são as saudades do passado.
Kundera, especulando sobre esse tema, considera que a “modernidade, conforme se vai envelhecendo, se converte em algo impressionante, como a única substituta da juventude”. Leio o que acontece no Afeganistão e fico a destruir tudo o que se pode pensar sobre o que é a modernidade e o que é o passado. Paro em uma página de Eça de Queiroz, nesta fase em que a releitura é um convite a não abandonar o hábito da leitura. Ele nos fala da guerra dos ingleses no Afeganistão no século 19. É uma página que confirma a dúvida sobre o moderno antigo ou o antigo moderno.
Vamos ler o Eça das “Cartas da Inglaterra”, a tratar desse mesmo tema da repetição da história e da tragédia desse país:
“Em 1847, os Ingleses, “por uma Razão de Estado, uma necessidade de fronteiras científicas, a segurança do Império”… invadem o Afeganistão, e aí… apossam-se, por fim, da santa cidade de Kabul; sacodem do serralho um velho emir apavorado; colocam lá outro de raça mais submissa, que já trazem preparado nas bagagens…; e, logo que os correspondentes dos jornais têm telegrafado a vitória… fumam o cachimbo da paz… Assim é exatamente (agora) em 1880.” Mudados os personagens, tudo igual em 1847, 1880 ou agora, 2001.
E Eça continua:
“…começa uma marcha assoladora, com cinquenta mil camelos de bagagens, telégrafos, máquinas hidráulicas, e uma cavalgada eloquente de correspondentes de jornais. Uma manhã avista-se Kandahar -e num momento é aniquilado, disperso no pó da planície o exército afegão… Kandahar está livre! Hurra!”
“A bomba de Vaillant (anarquista que atacou o parlamento francês)… espalhou um terror mais intenso… porque, pela primeira vez, a sociedade sentiu a temerosa dinamite arremessada contra um dos seus grandes órgãos vitais, contra o centro regulador de suas funções…”
“O Governo decreta terríveis leis de repressão e, com o apoio entusiasta do país todo, os anarquistas são perseguidos, em montarias, como lobos…”
O moderno, assim, nos parece o futuro do ontem. É a mesma crueldade do terror, e a humanidade presa do medo, dominada pela violência. A fronteira entre a realidade e o abstrato fica indefinida. Mas não morre a esperança de dias melhores, sempre o sonho do reino da paz.
Enquanto não chega, vamos embrutecendo, inertes, insensíveis, em frente da televisão. Passam riscos de luz, relâmpagos de foguetes cruzando os céus.
É o cotidiano da modernidade, uma notícia da CNN.

Boca da noite



Adorei ver e ouvir a Alcinea Cavalcante declamando poesias na posse de Tork, no TRE.
Fez a diferença e contabilizou ponto positivo para o cerimonial, pelo lirismo injetado ali, quebrando sisudez do evento.
Aplausos!

Inadimplência



Dos milhares e milhares de advogados levantando ‘canudos’ por aí, menos de 2 mil deles estão em condições de votar na eleição da OAB, em novembro

Talento



Ainda gatíssima e competente, Angélica só tem acumulado progresso em sua carreira, na televisão.
Diferentemente de Xuxa, já fora de tempo e literalmente sem graça, agora como apresentadora dos ‘altinhos”.

Gol de letra



Menos de 3 meses como secretário, Careca (Sedel) já mostra a que veio.
Em velocidade 4G, já realiza o 1º campeonato amapaense de futebol sub-20.
Mais uma prova de que não usa cabeça só pra carregar boné.

Vai ou racha!



Em vez de disputar prefeitura em Porto Grande, onde tem negócios, Badu (ex-federal) me disse hoje que vai concorrer a deputado estadual, em Macapá.
“E vou ser um dos mais votados”, carimbou entusiasmado.

Peninha




Como vai ficar dura a vida do nosso Wagner Gomes, daqui a algum tempo …
É. Um dia da caça, outro do caçador.
Pobre, Wagner!

 

Reação



Pendurado nas redes, fizeram de mim saco de pancadas porque disse ter melhorado fluxo de atendimento no HE (um médico como fonte).
Pelo menos nesse quesito, juro não mais usar a língua nem pra pregar selo.

Noveleiro



Furlan esteve comigo, hoje, revelando-se lastimoso.
Apreensivo, quis saber a razão.
“Mataram o Imperador!”, respondeu sorrindo

Hábito de ler



Troquei dedos de prosa com Dôglas Ramos, dia desses.
Mais gordo, me disse que enfiou chambre, mas não aposentou gosto pela leitura.
—Obras jurídicas, perguntei?
“Não, não. Morro de amor pelos romances —os policiais, preferencialmente”, retrucou.

Lisonja



Ontem, no restaurante, um senhorzinho fez abordagem: “Você é o Luiz Melo:?”.
Sim, respondi.
Ele: “Prazer, sou seu fã”.
Resultado: feliz da vida, passei o dia só pensando naquilo.

Sorte grande



Advogado amapaense, dos mais conceituados do ramo (pediu off), ganhou mais de R$ 60 milhões, numa ação trabalhista —inclusive em grau de recurso no STF.
Agora negocia redução, pra evitar precatórios e botar logo a bolada na conta.