CGU diz que pagamento do Bolsa Família não será suspenso em Macapá 



A operação ‘Limos’ deflagrada na manhã desta quarta-feira, 23, em Macapá, pela Polícia Federal (PF) deu cumprimento a 3 mandados de prisão temporária, 14 mandados de busca e apreensão, 6 mandados de condução coercitiva e 9 medidas cautelares para afastamento dos servidores públicos municipais investigados em suposta fraude de cadastro e inserção de beneficiários no programa Bolsa Família do Governo Federal.

Segundo as investigações, as denúncias surgiram em meados de setembro do ano passado. Pelo levantamento feito até agora, estima-se que entre oitocentas a mil pessoas foram inseridas de forma ilícita no cadastro nacional. Em razão disso, a Controladoria Geral da União (CGU) foi acionada pela PF para fazer a investigação de cada nome constante na ralação previamente levantada no curso das investigações.

De acordo com o chefe da CGU no Amapá, Antonio Santana, os mais de 20 mil beneficiários que recebem os proventos na capital não serão penalizados com a suspensão do pagamento mensal. “A Polícia Federal nos apresentou uma demanda e essa relação de beneficiários inclusos de forma supostamente ilícita serão investigados. Enquanto isso, o pagamento do benefício ocorrerá normalmente, sem a suspensão, mas os investigados devem ter o pedido de bloqueio requerido pelo Ministério Público Federal”, assegurou Santana.

e acordo com o delegado Alain dos Santos, da Delegacia Fazendária da PF, que preside o inquérito, duas secretárias foram presas, mas podem ser liberadas, caso concordem em cooperar com as investigações. Segundo o delegado, essas duas gestoras, que não tiveram nomes revelados, seriam as líderes do esquema.

“Elas [secretárias] eram responsáveis por determinar aos demais envolvidos a execução das ações para beneficiar ‘apadrinhados’. O material encontrado na casa delas, como listas com nomes de beneficiários e formulários para inclusão no sistema, além de vasta documentação xerocada dessas pessoas, reforça a denúncia”, disse o delegado.

O prefeito de Macapá, Clécio Luis, disse que tomou conhecimento do teor da operação pela rádio Diário 90,9FM, e que o posicionamento oficial adotado por ele foi determinar que todos os secretários se apresentassem aos postos de trabalho, além da abertura de todos os departamentos da administração direta.

“É uma denúncia feita no período eleitoral do ano passado. Já determinamos a abertura de todas as secretarias e a colaboração no que for necessário. A medida inicial é, primeiro, identificar quem são os servidores apontados nas investigações e ordenar o afastamento imediato. Queremos total lisura no processo, e se houver a confirmação de atos ilegais, que sejam punidos”, afirmou o prefeito.